Passaram a tarde inteira conversando, e rindo como sempre. A amizade deles era algo puro, algo sincero, inabalável. Era estranha a forma como se davam bem, mesmo a ponta pés e xingamentos, pareciam irmãos, porque além das brigas, confiavam os seus maiores segredos, e conversavam sobre tudo. Ana sabia exatamente todos os segredos de João, e ele igualmente. Ana sabia – e criticava – as três namoradas que João teve, João sabia – e odiava - os dois namorados que Ana teve. Porém todos os namoros acabaram pelo ciúme que tinham um do outro. E prometeram que só namorariam novamente com a aprovação do outro, o que era ridículo, mas funcionou por bastante tempo.
A cada minuto ela repetia para si mesma "é amizade demais, só isso".
Não adiantava ela se torturar com essa confusão de sentimentos, pois não sabia o que ele sentia, não sabia o que ele pensava, seria ilusão achar que ele sentia o mesmo só porque ela sentia. Talvez não sentisse. Talvez não pensasse. Talvez não se importasse. Não era pessimismo, era tentativa de tirar isso da cabeça. E ela estava certa. Papo em dia, ela decidiu ir embora. Precisava escrever para aliviar seus pensamentos, sua confusão de sentimentos. Ele acabou dormindo e ela saiu de fininho, deixando um recado colado no armário: “Não quis acordar a bonequinha... Depois te ligo, beijos.”
Ao chegar em casa começou a escrever um daqueles textos-desabafos, os sentimentos eram tantos, a confusão era tamanha que o texto rendeu umas quatro folhas, e quando terminou, era como se tivesse tirado um peso enorme das costas.
E para alguma coisa aquele texto servira: colocar os pensamentos no lugar. Escrever para Ana, era como se ela desabafasse com alguém, contasse tudo, e ao escrever percebia partes da historia que antes não tinha percebido, e vai colocando as coisas nos seus lugares. Escrever aliviava, e ao colocar os pensamentos no lugar, a fez pensar que tudo isso eram pensamentos loucos da cabeça dela. "Ufa, só uma maluquice."
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
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